domingo, 16 de novembro de 2008

Praticando o conteúdo!

Cavaleiros do Zodíaco: Teoria e Obra
"Seiyopéia"!
*TÓPICO ELABORADO INICIALMENTE PARA A COMUNIDADE SAINT SEIYA FOR ETERNITY!

LINK DA COMUNIDADE:http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=32724900

Classificar "Cavaleiros do Zodíaco" do ponto de vista literário não é uma tarefa das mais fáceis, exige um profundo conhecimento de algo que vai além de uma simples classificação.

Sou de opinião que a classificação comum à todos que ainda estão em fase escolar pouco contribui para a aquisição de cultura,porque tolhe o raciocínio induzindo a um pensamento pré-concebido,eliminando qualquer interesse..

Pois é, espero que não haja aproveitamento nenhum desta matéria,pois desse jeito, é chato à beça,enfadonho! Já que vamos começar a entender,a fuçar o mundo da Literatura,que seja então na companhia dos defensores de Athena!

Sem querer parecer egocêntrica,começarei do básico:é do início que vou desfazer o nó cognitivo de suas cabeças!

“E no início eram trevas...” [voz cavernosa*]

Nossa que voz é essa? Ops! Foi mal,não tão no início,né? Agora é verdade: Como se estrutura o sistema comum? Uma obra literária, à rigor pertence à uma das quatro divisões literárias: Épico (em desuso),Narrativo,Lírico e Dramático.

Está pensando que é apenas um amontoado de letrinhas? Está enganado amigo. Literatura nem sempre precisa de símbolos gráficos  para ser configurada como tal...

"Os Cavaleiros do Zodíaco", por exemplo, pertenceria ao gênero épico, por seus elementos e fim de papo!

Mas,uma percepção mais detalhada dará conta que tal classificação é falha pois toda e qualquer obra nunca se encaixará totalmente nestas divisões. E realmente o Sr. Kuru caprichou no serviço!! Cheio de referências!

Aprofundando,um pouco mais a linha de raciocínio,meus queridos leitores,saibam que antes de qualquer classificação, há a necessidade de entender o que é Literatura. Simplesmente é Arte.

Mais que isso:É a mãe de todas as artes,pois à todas contém e em todas está contida. Para quê serve Arte?Serve de nada....[olhando para o nada,distraída*]

Para nada...Aparentemente!

“Arte leva a alma humana a transceder os limites do físico,do paupável, conectando-a à essência divina”

Uia! Que função nobre!

Vou dar um exemplo: Assistimos ao nosso animê favorito e mal percebemos que nossas intenções modificaram-se naquele instante,tomamos consciência de algo superior,sabe começamos a pensar com os nossos botões...

Algo superior, que por sinal foi transmitido ao anime por seu autor. Mas não pensem vocês que essa adorável criatura tinha essa intenção em sua mirabolante mente.Tampouco ele foi original, embora seja uma obra sem igual. A idéia na realidade existia antes mesmo de seu instrumento nascer!

[ Mister Kuru]Kurumada foi tocado pelo plano divino! Este toque o levou a pôr no papel tudo que lhe vinha à mente,daí ocorreu a seqüência inversa: idéia/mangá/animê/espectador.

Kurumada: Divino até tomando um caldo

Sim,sim! Também vocês foram tocados pela consciência divina,mesmo que indiretamente! Por ter uma influência indireta em nossa mente,a tarefa de assistir aos “Cavaleiros” adquire um caráter muito próprio, subjetivo e por isso mesmo acaba por transmutar o próprio anime à condição elevada de Arte.

Recriamos a recriação de Kurumada para a criação divina! Nós somos divinos! Ufa! Apresento aqui a Teoria Literária,a qual vocês mesmos podem ver neste desenvolvimento,utiliza-se da Filosofia como base para análise. Restituo-lhes o fio da meada chamando-os à percepção do que é a essência do ser humano,algo bem mais coerente do que a classificação anterior,dita aristotélica.

Esta aqui visa o achamento da essência do homem nos domínios da criação poética. Portanto, ao estilo lírico alia-se o passado,este ente que trás a recordação. O épico alia-se ao presente,este com a rememorização e finalmente o dramático com o futuro e este com a tensão!

Assim como nós densas criaturas somos o concurso dos três tempos na constituição de nossa própria trajetória existencial,também os gêneros todos participam dos três momentos! Logo, a obra será mais completa,se todos os gêneros dela participarem,porém ainda mantendo filiação à essência de algum dos gêneros fundamentais! Sendo assim, mãos à obra!
Havia algo que Aristóteles não soubesse?

Já que o estilo fundamental de "Saint Seiya" é o épico,discorramos brevemente!

Etimológicamente,Epopéia significa "criação em versos longos". Como Mister Kurumada não foi louco o suficiente ao dar vazão à sua obra em "hexâmeros dactílicos"de uma rigidez excessiva, que à boca miúda só Homero tinha o dom para adaptá-la,espertamente dividiu-a em sagas,que estão interconectadas,pelos feitos heróicos de alguém que vocês já estão carecas de saber!

Deveria se chamar Seiyaopéia! Pois não é ele o protagonista? Quem é o ser de elevado valor moral e psíquico retratado,hein?

O épico além de narrar,descrever e exaltar,fatos pretensamente históricos e feitos prodigiosos,é também o estilo que exprime as paixões coletivas. Tudo nele tem que ter grandes proporções:

Heróis,combates,cenérios,sentimentos...Mais,o tempo na epopéia é ilimitado,toda ação é um corte sincrônico no tempo,ou seja a ação sempre estará ocorrendo sem prazo para acabar!
O acontecimento vivo!E é claro não pode faltar a presença do maravilhoso:A Atuação dos Deuses! Entre bonzinhos e malzinhos foram quantos mesmo?

E a Moira? O Destino irrefutável de que não podemos escapar! Quem nasceu sob o signo do heroísmo,não vira jogador de purrinha!E um toque de modernidade:a presença de caraterísticas das novelas de cavalaria,filhas das canções de gesta,logo netas das epopéias!

Possuem as características anteriores,porém um pouco menos rudes.De carácter místico e simbólico,estão povoadas de aventuras penetradas de espiritualidade(no caso de cdz,não é cristã) e subordinam-se a um ideal místico, que sublima o amor profano. Já perceberam que em CDZ não há demonstração real de qualquer tipo de sentimento entre os personagens que vá além da lealdade,da camaradagem?

O amor é algo perigoso,ameaça a harmonia coletiva,vivenciá-lo significa perdição.
Quem não fica pasmo com o dilema de Shina? Mesmo Seiya,que sabemos ter forte ligação com Saori,não os vemos externar esse sentimento. Pelo contrário,ele o sublima de modo que transforme em amor platônico, o ágape divino.
Epopéia
Sabendo qual é a base fundamental de nosso querido animê,passemos naturalmente à uma rápida descrição das referências restantes. Segue-se o gênero Lírico!

Já repararam nas cenas que mais tocam os seus corações?

Te fazem pensar:Eu já vivi situação parecida,estou com uma sensação estranha no peito!Digam com sinceridade:A visão da cena,muitas vezes de aspecto onírico e a música de fundo conspiraram para que vocês fossem às lágrimas?

Me lembro de como chorei ao ver a mãe se perder na imensidão do abismo gelado...
Que bela cena Ikki depositando uma flor à sua amada Esmeralda...E é impossível não chorar junto,não querer consolar o sensível Shun!

Esse recurso é explorado à exaustão na lírica.Quem já ouviu falar a expressão "saber de cor"? Vem diretamente do latim,cor é "coração",logo recordar é retomar aquele sentimento que temos no peito!

É o princípio básico desse gênero. Quanto à palavra lírica,esta deriva do grego,significa algo concernente à lira ou ao som que desta se desprende. Antigamente,a poesia era cantada,ao som de liras e cítaras,pelos aedos.

A lírica é irmã gêmea da epopéia,pois originou-se na tradição popular e em antigos ritos religiosos associada aos principais ritos da vida: do nascimento à morte.

É um gênero de muitas faces,não só feito de poesia escrita,como todos estamos convencionados a acreditar,pois está vinculada à expectativa da livre imaginação,onde a emoção supera o pensamento. Ou seja,têm que haver um clima!

E para pintar um clima,nada melhor do que música!

Lírico

Realmente, Doctor Kuru caprichou na carga emotiva! Até os durões ficam com o coração apertado...ou leve,conforme a ocasião,todo mundo pode ser fofo!

Próximo bloco: Drama!!! Sou workaholic de carteirinha,não agüentei ficar longe do meu serviço!

Bem,está faltando falar do Drama e das suas referências em "Cavaleiros do Zodíaco".

Etimologicamente,significa ação. Literalmente a histórias se traduz,na ação dos personagens.Enquanto a narrativa épica se expande no tempo e no espaço,deslocando-se de um lugar para o outro,de um tempo presente para um passado ou futuro,a ação dramática está restrito a um local,o palco(no confundir com o conceito teatral,pois o palco não precisa ser necessariamente o de teatro).

O gênero dramático póde ser encontrado em múltiplas obras literárias,sem que se tenha a intenção de representar. A principal característica do drama é a tensão que costuma provocar no espectador.Esta tensão têm duas características fundamentais que são o páthos e o problema. O páthos é um sentimento exarcebado,paixão,leva o autor,neste caso o Sr. Kuru,a criar um tipo de linguagem comovente e arrebatadora para traduzir a força da resistência da personagem nos embates do mundo que a cerca.

A fala patética é impetuosa,arrancada com grande esforço anterior.Esse tipo de fala pressupõe uma assistência,um "tu"que a ouve e se comove.

Há dois tipos de phatos,o da dor e o do prazer. Em todo caso,é uma comoção espontânea que não necessita ser conscientizada nos seus objetivos e na sua origem. É sempre direcionado a algo que se crê e em que se deposita confiança!Querem algo mais magnífico do que a cena em que aquele certo rapaz,Seiya,o nome dele,enfrenta no seio de sua humanidade,todo o poder do deus Apolo,em "Prólogo do Céu"?

A força do phatos tende para um clímax,onde os objetivos são atingidos. A problematização dentro do gênero dramático funciona como algo que é inicialmente proposto e que deve ser solucionado,portanto não é permitida a fala supérflua,literalmente estamos sempre com o coração na boca,esperando a solução da situação. Aí é o que podemos chamar de histórica trágica,pois a tragédia é a situação-limite em que se rompem todas as normas e anula-se a realidade humana.

Continua o capítulo, Drama!

Atingimos o clímax! A esta altura do campeonato,alguém tem que morrer,se ferrar mesmo,para que o impasse na trama seja desfeito e a história prosseguirá de preferência com final feliz!
Se correr o bicho pega,se ficar o bicho come....esta á a ordem natural das coisas.Quem não se comoveu (por que não revoltar-se?) com a morte de Cassius?

Se o "laranjão" não tivesse morrido,qual seria o rumo da história?

Madame Athena,nossa querida deusa,não teria escapado ilesa,iria se desminligüir em chuva e flecha. Comentário pessoal: "Realmente foi um prodígio não se afogar,porque precisa de amparo até para respirar."

Em vão esperaria por Seiya,até os seus últimos minutos,pois ele,por seu turno estaria se livrando de dois fardos pesados:Livre da possessiva Shina(já morta) e da alcunha de "encosto",porque finalmente iria abotoar o paletó de madeira.

Shina deixaria de viver o seu eterno dilema e morreria com um sorriso de orelha a orelha por estribuchar ao lado de seu amor proibido.

Cassius,coitado! Morrerá de qualquer jeito,pois quem perde a orelha,ainda por cima para o Seiya,morre na mão de qualquer um! E Aiolia,o honrado Cavaleiro de Leão Gold?
Autor da chacina da quinta casa,o cara mais incorruptível do Santuário,encontra-se em estado alterado de consciência.
Está mal feito pica-pau e assim permanecerá para todo o sempre.Sob artimanhas do Mestre,o Gold,agora de posse de sua porção "maluco-perigosão do pedaço",continua a chacina,atacando tudo o que se move e o que não se move também...

Dentro em pouco,criatura e criador se enfrentariam,isto é, Aiolia e Mestre,disputariam palmo a palmo o mundo em ruínas...nem me perguntem que foi feito do Santuário...e daí para...Hecatombe!

Lembra aquela cantiga popular: a aranha no rato,o rato no gato.....e a velha a fiar!Efeito dominó! Efeito Borboleta para quem preferir! Para evitar que a lambança se concretize,afinal com a morte do protagonista não há mais razão para haver história.

Continuando...

Monsier Kuru resolveu sacrificar Cassius em prol de um bem maior,ou seja,o pobre gigante tornou-se o popular "bucha". A vida é assim...O personagem,que aparentemente só faz figuração, desempenha um papel decisivo,elevendo-se ao status de herói póstumo.

Sintam as maravilhas que essa execução calculada permitiu ocorrer: Cassius se sacrifica e evidentemente morre. Mas morre bem,diga-se de passagem. Declara seu amor por Shina e morre feliz!

Esta por sua vez,continua a mesma amazona marrenta,problemática,perseguindo o Seiya,arauta das ambições dos megalomaníacos da vez e tremendo coração mole...com um adicional...continua vivinha da silva!!

Seiya nunca conseguirá se livrar de seus piores pesadelos,que continuam sendo,a apaixonada Shina e a alcunha de encosto,porém sua alma grita de felicidade por fazer o que gosta:Salvar Athena!

Aiolia recobra a consciência e descobre que estava pagando um mico dos diabos,prestando serviços à banda podre do Santuário e libera o Seiya para que continue a desempenhar a sua aeróbica alucinada para salvar Athena/Saori!

É a vida retomando o curso normal,é a história seguindo o seu rumo...Cassius você é um fofo!
A esta função que Her Kuru lançou mão,dá-se o nome de catarse,que é a superação dos problemas,é o alívio da tensão,o término do clímax.

Ainda falando de gênero dramático,a comédia faz parte deste núcleo. Quantas vezes vocês já se pegaram rindo de algumas situações em Cavaleiros do Zodíaco? O riso sempre estoura em situações banais,como aquela vez que os Cavaleiros de Bronze ficaram com cara-de-tacho,enquanto Kikki lhes mostrava os desgastes sofridos por suas respectivas armaduras. Aliás Seiya é um palhaço nato!Das cenas engraçadas,pelo menos 90% são protagonizadas por ele!
Drama
Também tem a espada de bambu do Tatsumi...

Estou tentando me lembrar da vez que os Cavaleiros Gold,esperando pela última batalha nas doze casas,quais foram os que ficaram se ameaçando elegantemente,só sei que chorei de rir com essa cena! O Kikki, pondo apelidos de crustáceos e outros frutos do mar na Thetis,também foi boa,ela ficou com cara de normalista neurótica! Vocês é claro,devem se lembrar de outras.E se elas lhe despertaram um censo crítico,pois os fizeram lembrar de situações parecidas que tenham vindo a protagonizar e hoje em dia prometem mais a sí mesmos que tais cenas não mais irão se repetir,então o gênero alcançou o seu objetivo pela pena de nanquim posta nas mãos de Kurumada!

Ambas, Tragédia e Comédia são uma espécie de alerta coletivo para os defeitos e excessos inerentes à espécie humana.Preciso dizer mais alguma coisa? Quem ficar com dúvidas pode consultar Freud! Mas como a ligação além-túmulo custa caro,aqui na SS4E,soube que há um doutor à altura do austríaco! Vale a pena tirar dúvidas com ele!

A obra que Titio Kuru orquestrou é ou não é completa? É um sacrilégio classificá-la de maneira superficial,sem uma busca detalhada. E isso todos nós podemos fazer. É muito simples...Basta aplicar a Gnoseologia!Uia! Mas que palavrão! Nada mais é,que aprender por observação! Aqui está um levíssimo aperitivo,quem quiser observar é só começar!

Enquanto isso no QG... nosso conhecido Kurumada continua dando vazão à sua fértil imaginação e continua a criar os personagens,que irão povoar o nosso imaginário...

E o público vai participando da história, se envolvendo com os personagens,criando laços de identificação ou simpatia e ainda há casos de antipatia e aversão,independente a que lado o personagem pertence,se é bom ou se é mal.Tudo depende do carisma dele.
Vejamos, alguns acham o Shun muito fresco, um tanto suspeito,outros acham ele um amor de pessoa...O protagonista Seiya é encarado como um encosto,muitos acham o Mu sem sal e pasmem,tem aqueles que defendem os maus feito pica- pau!!!!

°Continuandoº

Entre tantos "etes":Muzetes,Shaketes,Saguetes,Aldebaranzetes e etc,tem quem adore figuras controversas,tipo o Máscara da Morte,e com todo o direito, os fãs do siri acham que o tratamento dado ao personagem é deveras cruel e injusto...Seu Kurumada deve ficar muito besta com tanta repercussão!

Seus personagens rendem discussões positivas. Aqui mesmo na SS4E,há uma profusão de tópicos interessantíssimos,que dão conta da essência de cada personagem. Muito bom!Depois dessa,me lembrei que existe um tipo de classificação de personagens,referente ao modo como o autor apresenta os personagens em sua trama.

Mais uma vez repito:não se ocupem em classificar e sim em investigar a obra,esse é o mote do crítico literário,que é quem se envereda pelo caminho da Teoria da Literatura.

A classificação é apenas o ponto de partida para a compreensão do objeto de estudo em qualquer que seja a área a ser explorada.
Voltando ao macete,no gênero narrativo,herdeiro direto do gênero épico,existem dois tipos básicos de apresentação de personagens:o plano e o esférico.

Os alvos de nossa observação serão[óbvio]os personagens de destaque,não adianta nada aplicar o macete nos personagens papel de parede!A personagem plana é trabalhada emocionalmente,porém de maneira superficial,não como um todo.

Dá para imaginar que esta manterá sempre o mesmo perfil,não sofrerá mudanças durante a história.A personagem esférica,pelo contrário é trabalhada em profundidade,portanto irá expor o seu lado emotivo e o seu lado racional...e tome saraivadas de reflexões existenciais,conflitos internos...Vocês já desconfiaram do que eu desconfio?
Maniqueísmo: Tenho lá as minhas dúvidas

Agora me respondam imediatamente:

Se Kurumada surtasse e deistisse de ser o cérebro de CDZ,pondo um ponto final na trama dos defensores de Madame Athena,vocês acreditariam que este seria o fim?Me explicando melhor,acham que CDZ cairia em esquecimento? Eu acho que não,sabem porquê? A própria obra tem a sua carta na manga

Huhuhu... E a saga continua!

Tá. O Kurumada tem um colapso mental e em crise criativa, diz "adiós" à sua própria obra e resolve ir morar numa casinha de sapê no cume do Cáucaso.

Ele pode fazer coisas improváveis e mesmo assim não detonará a própria obra,mesmo que faça coisas como treinar cooper travestido de urso vermelho e fumando cachimbo azul...pode cultivar repolhos na borda de um vulcão em erupção vestido de tubarão amarelo montado num cavalo sadomasô...Nada disso irá denegrir CDZ porque a trama existe independentemente do autor à partir do momento que sai de sua cabeça! Na realidade,obra nenhuma cessa quando o seu autor por algum motivo,pára de dar andamento à ela.Ela continua em franca expansão nas mentes de seus admiradores e a prova disso são as FANfics.

Caso Father Kuru estivesse na pior ele não precisaria ir ter atitudes tão extremas! É só passar aqui na comunidade,que ele volta a ficar criativo! Pareço criança com imaginação fértil...imagine o Doctor utilizando todos os cérebros da SS4E...nada poderia ser mais justo! As FANfics daqui têm selo de qualidade!A permanência de uma obra para além da poeira dos milênios é definida pelo nível de seu "cosmos. Xi! Lá vem a Carol com esses papos doidos!

Já diziam meus encucados coleguinhas de colégio!Essa força recebe vários tipos de nome,mas se estamos falando de CDZ, nada mais apropriado do que batizar de cosmos e até calha de se aproximar do sentido original da força.

Sim a obra possui força própria,algo diferente do"Cosmos" de seu criador ou do de seus admiradores. Só a intensidade dessa força definirá se a obra é eterna ou passageira, é a diferença entre sucessos momentâneos [ao melhor estilo bestseller encalhado] e as obras eternas como é o caso de Ilíada e Odisséia, de Homero...estas serão sempre referências...

O Grande Chefão Kurumada se inspirou nos mitos gregos e estes são eternos...aliás toda a cultura grega é eterna,tudo o que sabemos de artes ao àtomo devemos à esta cultura...Cultura Clássica!

Do seu próprio pulso o fã dá forma à fôrma!

Tem mais! Hohoho!! Segue!

Os mitos gregos são eternos porque a sua energia faz a nossa reagir,de imediato comunicamo-nos com tempos imemoriais e tempos futuros...Intimamente estamos conectados à papéis imutáveis que sempre ocorrerão a qualquer tempo,pois são de caráter pancrônico,eles superam a barreira do tempo e do espaço.

A grande e definitiva prova que "Cavaleiros do Zodíaco" é uma obra eterna é simples,porém impactante: A nossa reação.

Toda vez que assistimos à CDZ é como se o mundo parasse de girar, não vemos mais nada ao nosso redor, é uma emoção profunda que toma posse de nós,que simplesmente não conseguimos reagir,ficamos ali mudos de admiração assistindo ao espetáculo!É assim toda vez que vemos, é o cosmos queimando!E geração após geração,acreditem: A reação dos admiradores é a mesma!
O mundo pode se acabar mas Saint Seiya estará lá assim como o fez a Odisseía!

Como toda boa professora eu gostaria de sugerir um exercío muito divertido de percrustação de obras!Em Teoria da Literatura, existem várias "escolas" críticas e dentre elas a mais comentada atá hoje foi o "formalismo russo."Existiu um Senhor chamado Vladimir Propp e ele era desertor dessa modalidade crítica.

Pois bem,ele inventou um método para analisar contos fantásticos,que realmente é muito divertido de se aplicar: As funções de contos de fada!Caso alguém queira saber mais estarei pronta a esclarecer pormenores,mas as funções são facílimas de serem aplicadas!E é obvio que vocês irão aplicar em CDZ!

Dependendo da situação as funções podem ser prestadas em rodízio por praticamente a maioria dos personagens,depende do ponto de vista de quem faz a investigação!
Vladimir Propp: Me gusta!

Doctor Propp para facilitar,dividiu os personagens em esferas de atuação:

1ª Esfera - O agressor (o que faz mal)
2ª Esfera - O doador - o que dá o objeto mágico ao herói (talismã)
3ª Esfera - O auxiliar - que ajuda o herói no seu percurso
4ª Esfera - A Princesa e o Pai (não tem de ser obrigatoriamente o Rei)
5ª Esfera - O Mandador - aquele que ordena a demanda
6ª Esfera - o Herói
7ª Esfera - o falso herói

Como veêm,é facílimo identificar!

Estas são as funções de Mister Propp:


AFASTAMENTO – um membro da família se afasta de casa;

INTERDIÇÃO – ao herói é feita uma proibição;

TRASNGRESSÃO – a interdição é transgredida;

INTERROGAÇÃO – o agressor tenta obter uma informação;

INFORMAÇÃO – o agressor recebe a informação;

ENGANO – LOGRO – o agressor tenta enganar a sua vítima para se apoderar dela ou dos seus bens;

CUMPLICIDADE – o herói deixa-se enganar e ajuda seu inimigo sem saber;

MALFEITORIA – DANO – Esta função é extremamente importante, porque é ela que dá ao conto o seu movimento. As sete primeiras funções funcionam como a parte preparatória, a intriga inicia quando ocorre o dano ou malfeitoria;

MEDIAÇÃO OU MOMENTO DE TRANSIÇÃO - esta função introduz em cena o herói;

INÍCIO DA AÇÃO CONTRÁRIA – o herói decide fazer algo para reparar o dano sofrido;

PARTIDA – o herói deixa a casa;

A PRIMEIRA FUNÇÃO DO DOADOR – o herói passa por uma prova;

REAÇÃO DO HERÓI –o herói supera a prova;

RECEPÇÃO DO OBJETO MÁGICO - o objeto mágico é colocado a disposição do herói;

DESLOCAMENTO NO ESPAÇO - o herói é transportado para outro lugar;

COMBATE – o herói e seu agressor defrontam-se em combate;

MARCA – o herói recebe uma marca;

VITÓRIA – agressor é vencido;

REPARAÇÃO DO DANO – a malfeitoria inicial ou a falta são reparadas;

VOLTA – o herói volta;

PERSEGUIÇÃO - o herói é perseguido;

SOCORRO – o herói é socorrido – pode ocorrer repetição da seqüência;

CHEGADA INCÓGNITA – o herói chega incognitamente;

PRETENSÕES FALSAS - um falso herói assume o papel do herói;

TAREFA DIFÍCIL – ao herói é sugerida uma tarefa difícil;

TAREFA CUMPRIDA – o herói realiza a tarefa;

RECONHECIMENTO – o herói é reconhecido por algum sinal;

DESCOBERTA – o falso herói é desmascarado;

TRANSFIGURAÇÃO – o herói recebe uma nova aparência;

PUNIÇÃO- o falso herói é punido e exilado ou morto;

CASAMENTO:o verdadeiro herói se casa e herda o trono.

Nem todas as funções aparecem,portanto não fiquem desesperados se não acharem uma função!
A tartaruga é mole,mas quando resolve morder não larga mais!

Bem, é isso!Espero que tenham gostado do tema e que façam a lição!Desculpem-me pélo tópico postado à passos de tartaruga,mas acredito que consegui me expressar com começo,meio e fim!Algumas coisas passaram batidas,porém conforme perguntas forem surgindo,eu as esclarecerei!Beijocas!

Teoria da literatura is all!!!
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