terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu não creio!!!!

                               Fauno que pariu!


Ofélia e seu tutor das profundezas do Hades

Esse texto aqui eu escrevi há uma cacetaralhada de tempo atrás,quando me inscrevi no site Shvoong,aquele que você ganha uns capilezinhos para escrever resumos bem ao estilo do Reader's Digests ou,vulgo,Revista Seleções.Naquela época eu ainda nem tinha criado o meu blog,o Ishitara Enluarada! Ou melhor,tinha sim mas ainda não sabia como usar,o que escrever,um monte dessas nóias de sempre quando se é novata.E o assunto do resumo era uma análise de um filme que como dizem os memes internéticos:-Me gusta!Agora sim vai fazer sentido aquelas outras matérias aqui do blog:



Com essas matérias o blog obterá uma "Trilogia do Fauno"! Portanto,apreciem o meu fauno! O link para visualizar o texto original está no título abaixo:

    O Labirinto do Fauno

A única solução para o sofrimento é a Morte,diria Alone,em Lost Canvas...

   Eis aí a provação da alma,espelhada nesse filme excelente. O mito do eterno retorno. Vida é morte,morte é vida. Uma traz a provação e a outra libertação.Ao longo dos tempos em crenças diversas espalhadas por tempos e lugares distantes em si,perpetuamente interconectados entre si,essas crenças sempre deram conta deste fato. No Egito Antigo,as vísceras eram extraídas e postas em canôpos,vasos rituais. O cérebro,curiosamente,era descartado,por nada representar naquela cultura. Mas o coração...Este sim,era conservado na múmia,pois acreditavam,que o coração é que seria o responsável,por bons ou maus julgamentos para com o defunto perante o tribunal dos deuses,no além.

A marca é o pretexto para morrer...
As religiões Orientais,por sua vez,professam a crença no ciclo de nascimentos pelo qual a alma passa. Longe de ser algo agradável pelo qual se tenha que passar continuamente,antes é,um suplício para a alma,ter que nascer e morrer tantas vezes,ainda mais num sistema de crença no qual,você diretamente,paga pelo que cometeu no passado,se fez bem,receberá o bem;se fez mal receberá o mal.
Complicado né?Então para impedir essa sequências de nascimentos,no qual,pode-se vir humano,animal,deus ou demônio,denominado Samsara,estas pessoas praticam um sem par de rituais visando a purificação e a consequente anulação de seu ser,de sua existência,denominado Nirvana,o grau de iluminação máxima.


Em certo conto judáico,vê-se com certa curiosidade, o tratamento dado a este tema. Duas almas acabam de receber a sentença do anjo Metraton,aquele das centenas de olhos,portador da espada flamejante. Ambos estavam tristes,pois foram condenados à "morte". A preparação para a execução,consistia em ter seus cabelos raspados e seus dentes extraídos e em seguida suas asas foram tosquiadas. As horas seguiam-se quando finalmente foram avisados que o "coveiro" e o "caixão" já estavam à postos,por isso era a hora da despedida,era hora da "execução",era hora do "enterro". Toda essa alegoria,referia-se ao plano terrestre.Lá dois jovens namorados encontraram-se e ali ficou subentendido que fariam amor naquela noite e dali resultaria uma gravidez.Portanto o significado dos termos seria que o coveiro é a parte masculina,o caixão seria a parte feminina e que o enterro,obviamente,seria o ato sexual que resultaria em uma gravidez,portanto o nascimento aqui,porém morte naquele plano,pois figurativamente a alma seria encerrada numa prisão sem muros.
Preferível a Morte carnal do que a espiritual




Toda essa introdução se fez necessária,apesar de à primeira vista,parecer não fazer sentido,é aqui que as coisas se interconectam,pois justamente o fio condutor da trama foi agarrado. "O Labirinto do Fauno" é uma fábula de terror,choca pelo que vemos ao longo do filme,pela violência de dois mundos,tanto o de Ofélia e seu tutor, o fauno do título,como também o da época que ela vivia,quando domínios totalitaristas infeccionavam o mundo. Entre um e outro,não é melhor fazer de tudo e escapar a uma vivência tão cruel e sem esperanças? 


A fantasia pode ser reconfortadora porém é tão real ou mais real que a realidade em que se vive.Porém a esperança essa sim conduz à busca de uma situação melhor. E exatamente como aquele conto judaico,essa história é uma alegoria às avessas,pelo menos pelo o nosso ponto de vista "terreno",uma vez que Ofélia na realidade é uma princesa que cansada da vida subterrânea,acaba escapando para a superfície,para viver entre os humanos,algo que se  pode enxergar como a concepção grega do submundo,não como um lugar infernal,mas sim como a morada dos que um dia foram da superfície,ou seja,morreram. 
Hora do banquete macabro


E o castigo para essa alma fujona seria passar por todo o tipo de provações,até que um dia,pudesse retornar para o seu lar e ser feliz finalmente. Quando tomou ciência de sua real condição,Ofélia,aquela menina reprimida pelo meio começou a agir,enfrentou provas horripilantes e entre elas a última que seria a sua redenção: salvar seu irmão,suposto principe de seu reino,daquele mesmo destino pelo qual ela passou:"E o Passado resgata o Futuro" Após esse ato a garota morre de jeito cruel,morte infligida por seu padastro maníaco,que obteve morte ainda mais pavorosa.
Fauno e suas ajudantes fadas


Pode-se pensar que tudo foi perdido com a morte da menina,é o que nos faz crer,o senso comum. Só que a realidade é outra.Com a morte,ela conseguiu a liberdade de sua alma,liberdade daquela prisão se muros e pode enfim,retornar ao seu lar,ao lado dos reis,representados por seus pais e ao lado do seu companheiro,o fauno.  Lá,sem a prisão sem muros a que era infligida,ela pode voltar a ser ela mesma,uma vez que a sua essência torna-se mais forte. Fica subentendido que a vida aqui neste plano absorve a pessoa e ela se perde de sua alma,de seu eu verdadeiro,obrigada a tantas convenções e receios e o único jeito de se libertar é retornando ao plano espiritual. Realmente a alegoria sombria e onírica de Guillermo Del Toro é completa com todas as sugestões e metáforas com que se possa refletir.
Publicado em: 15 setembro, 2008   
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